As bodas de pratas do senhor Guilherme

capa_revista_contos_eroticos_1

Leia uma amostra

1) As bodas de pratas do senhor Guilherme

Esta história eu quero contar, mas não sei porque eu quero contar.
Talvez por ser, simplesmente, a minha história.
Talvez porque há alguma coisa misteriosa que não sei explicar o que é.
Quem, por ventura, ler, que tire suas próprias conclusões.
(…)
Começou quando eu tinha exatos 12 anos de idade, quando fui trazida do interior para a cidade grande.
Morava lá, com meus pais e uma penca de irmãos, tinha meus amigos, minhas amigas, e tinha também um menino infernado, por quem eu acreditava que era apaixonada e sempre fazia de tudo para estar junto com ele.
Era o Marinho, que tinha dois anos mais que eu, que sabia dessa minha paixão de meninota e, por saber, queria se aproveitar de mim.
Por várias vezes ele me chamou para ver as cabritas e mostrava como o bode trepava nela, comia ela.
– Vamos fazer igual.
– Tá maluco? E os cabritinhos?
– Que cabritinhos?
– Os cabritinhos, não é?. Quando o bode faz essas coisas na cabrita ela tem cabritinhos. Pensa que eu não sei?
– Mas eu não sou bode.
– Claro que não é! Nem eu sou cabrita. Mas se a gente fizer isso, logo vem um cabritinho… um neném.
– Você não entendeu. Eu ainda não sou bode, nem você é cabra… você é cabritinha, eu sou cabrito.
– E daí?
– E daí que aa gente pode fazer que não tem perigo de vir um cabritinho… um neném.
– Sei, não… Mas mesmo assim, isso não é coisa que uma menina faz. Tenho de ter idade… e tenho de casar primeiro.
– Eu caso com você.
– Então, depois que a gente casar, aí podemos fazer.
Naquela época, com aquela idade, eu não fazia ideia de que o que o Marinho queria fazer comigo era uma coisa gostosa, que ia me fazer gostar bastante. Por isso eu não achava graça nenhuma quando ele ficava me tentando para fazer igual os cabritos ou, então…
– Mas tem um jeito de fazer sem criar barriga.
– E que jeito é esse?
– No cu.
– No cu…? Mas eu nunca vi um cabrito fazendo no cu da cabrita.
– Mas a gente pode fazer e…
E não teve jeito.
O menino me tentava, tentava, mas, simplesmente, eu não tinha a menor vontade e não queria nem pensar em fazer essas coisas.
Só queria pensar em ficar perto dele, conversar com ele, brincar, passear por todos os lugares.
Mas só isso.
E então…
(…)
Um casal apareceu na casa ao lado para passar férias e gostaram de mim.
A mulher, dona Júlia, era irmã da vizinha, que era mãe das crianças com quem eu então brincava… e mãe do Marinho.
Ela tinha 28 anos, era bonita e dona de uma presença marcante.
O homem, o senhor Guilherme, tinha 34 anos e também era bonito, vistoso, simpático.
E não tirava o olho de mim.
Eu percebia que ele ficava o tempo todo me olhando, mas não conseguia entender exatamente porque ele me olhava. Ficava meio sem jeito, saía do lugar, ia fazer outras coisas, mas, ao mesmo tempo, eu achava gostoso saber que ele olhava pra mim. Eu me sentia importante.
Mas aí veio a coisa ruim.
Depois de três semanas de férias ali na casa, e das muitas e muitas olhadas que senhor Guilherme dava para mim, foram os quatro, o senhor Guilherme, a dona Júlia, e os pais do Marinho falar com os meus pais, tratar do meu futuro.
Simplesmente, mas simplesmente, o casal, que não podia ter filhos, queria que meus pais permitissem que eu viesse junto com eles para São Paulo.
E só depois que acertaram tudo é que me deram a notícia da minha partida.
Quase tive um troço.
Desandei a chorar, gritei que meus pais não gostavam de mim, que ninguém gostava de mim.
E eles, todo mundo, se desmancharam em palavras para dizer que era exatamente o contrário, pois na cidade grande eu podia estudar, ser alguém na vida.
– Mas querem me levar é para trabalhar! – eu falava.
– Imagina! – falou o Seu Guilherme que, na verdade, era o que mais falava, o que mais queria me trazer. – Nós queremos é que você estude, que faça uma faculdade…
– Não temos e nem podemos ter filhos… você pode ser a nossa filha. – dizia a dona Júlia.
– Mas eu sou filha dos meus pais e…
E não teve choradeira que fizesse mudar o meu destino… que dizer, que evitasse mudar o meu destino.
Quando vi, quando percebi, já estava dando adeus aos meus pais, aos meus irmãos, aos colegas, a todo mundo… e ao Marinho.
E quando o carro partiu, do banco de trás eu olhava para todos, olhava para a minha casa, a minha rua, minha cidade, que ia ficando para trás, cada vez mais longe, sumindo na poeira da estrada de terra.
Foi muito triste.
(Continua)

 

2) Uma aventura em que não transei

Nunca tive problemas com as minhas paixões… quer dizer, sempre tive os meus meninos ou eles sempre me tiveram, tanto faz.
Claro que não tive todos os meninos do mundo e nem ao menos todos os meninos que desejei, mas como uma coisa compensa outra, não tenho porque dizer que sou uma menina sexualmente frustrada.
Na verdade, talvez eu até seja ou, pelo menos, era sexualmente frustrada, mas não por mim, e, sim pelo meu pai, que, pelo que sei, nunca foi de aventuras e sequer havia tido o prazer de estar, ao menos uma vez que fosse, com a mulher que tanto desejou. Ele casou com a minha mãe e os dois logo trataram de esquecer outros desejos.
Mas será que esqueceram mesmo?
Deixa eu falar um pouco de mim, e depois eu conto o lance com o meu pai.
E já vou avisando que não transei com ele… nessa história eu nem transei.
(Continua)

 

3) Meus três pedidos à Santa Bucelina

Cabeça de menina tem cada coisa!
Os adultos dizem que a gente não pensa, mas eu discordo, pois a gente pensa, e muito.
Vou tentar me esclarecer.
(…)
Numa daquelas tardes em que eu só queria chegar em casa, tomar um banho e me desmanchar no sofá, nem mesmo pensava em outras coisas, quando tive de ouvir a conversa de dois meninos que estavam sentados de costas para mim no metrô.
– Aquela mina é impossível. – dizia um deles. – Acho que vai morrer virgem, vai ser freira, santa, mas nunca que ela vai dar para alguém.
– Tem mina que é assim mesmo. – disse o outro. – Mas é só ir com jeitinho que…
– Jeitinho? Jeitinho como, se ela não deixa nem passar a mão? – perguntou o primeiro.
– Então você vai ter de fazer uma promessa para a Santa Bucelina. – brincou o outro.
Nem precisa dizer que minhas duas orelhas se moveram igual orelhas de coruja, só para ouvir mais.
– Santa Bucelina? Que santa é essa? – perguntou o primeiro menino.
– Não conhece, não? É a santa protetora das prexecas.
– Santa protetora das prexecas…? Mas se a santa protege as prexecas, aí é que a mina não vai dar, mesmo.
– Ao contrário. Prexeca nasceu pra levar vara, não é? Então, reza pra Santa Bucelina que ela encaminha a prexeca da mina.
E o papo continuou.
(Continua)

Leia estes contos completos

blog rev 1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s