Feijão

M. C. R. (2001) – Iepê/São Paulo – SP

 

feijão

Gente!
Estou escrevendo umas coisinhas que tenho vivido e que me dá a maior vontade de contar para todo mundo… desde que ninguém saiba quem eu sou – é claro! -, principalmente uma certa pessoa.
Vou contar tudo, mas tenham paciência, pois vou fazer aos poucos, lembrando todos os detalhes.

(…)

Parte I

Sexta-feira à tarde, mais uma vez, dei um nó na minha mãe, dizendo que ia visitar uma amiga, e, mais uma vez, fui visitar o meu namorado.
E mais uma vez passamos uma tarde maravilhosa, no quarto dele, na cama dele, aproveitando que seus pais não estavam, e fazendo tudo o que tínhamos direito.
Mas não tínhamos feito tudo ainda, quando, num daqueles momentos de descanso, quando o mundo orgásmico provoca delícias no corpo, mais uma vez, ele me perguntou…
– Você jura que essa margaridinha é só minha.
E mais uma vez eu respondi.
– Você sabe que é.
– Só minha, minha, minha mesmo… nunca foi demais de ninguém?
– Amor… você sabe que me conheceu virgem, você lembra o dia em que tirou a minha virgindade, você viu que não foi fácil…
– Eu sei. Até saiu um pouco de sangue.
– Então! Por que fica sempre perguntando? Por que não acredita em mim?
– Mas claro que acredito, amor! É que… é que é gostoso perguntar e ouvir você dizer que sua margaridinha é minha, só minha, de mais ninguém… não é desconfiança, não. Você entende?
– Entendo.
– Entende mesmo?
– Hum hum… e ainda bem que você não pergunta sobre o meu feijãozinho…

(…)

Mas claro… claro mesmo, que parei no “hum hum”, que não sou doida de falar de certas coisinhas que andei fazendo, enquanto ainda morava no interior.

(…)

Faz dois anos que estou morando em São Paulo e faz um ano e meio que estou namorando o meu primeiro menino… quer dizer, o meu primeiro namorado, pois antes dele, lá na cidade do interior onde eu morava, só tive um ou outro menino.
Tá bom…! Foram seis, exatamente.
O primeiro foi um menino que morava umas três casas perto da minha e sobre quem minha mãe vivia dizendo que não valia o feijão que comia.
Não sei se a minha mãe dizia isso porque sabia de alguma coisa, se desconfiava apenas, ou se tudo não passava de ironia do destino, pois o fato é que o menino comia feijão… o meu feijão.
Comer o feijão… me dá o feijão… você tem um feijãozinho gostoso…
Era assim que os meninos viviam falando e eu não entendia o que tinha o feijão a ver com isso, pois o que aquele molequinho capeta queria mesmo era comer a minha bundinha, o meu cuzinho.
E comeu.
Me pediu tanto, me encheu tanto, me prometeu tanto que não ia doer, que eu ia gostar, que não ia contar para ninguém, que um dia, voltando com ele da cachoeira, depois de nos separarmos dos outros meninos e meninas, ele me puxou para os fundos de um pomar, bem debaixo de uma mangueira.
– Mas eu não quero… – eu ainda dizia, enquanto ele já estava erguendo o meu vestido e baixando a minha calcinha.
– Vira esse feijãozinho pra mim… olha o que eu tenho. – ele dizia, mostrando um vidro com uma coisa branca dentro.
E ele já estava com o pinto de fora.
Nem tive coragem de olhar.
Mas percebi que ele passava aquela coisa branca no pinto e depois me colocava contra o tronco da mangueira, encostava, acertava o meu cuzinho…
Mas não entrou mesmo.
Não deixei entrar.
Me deu um pavor tão grande, que saí meio correndo, levantando a calcinha… e ele só foi me alcançar quando eu já estava chegando em casa.
Falou, falou, falou…
– Tá bom! Amanhã, então, lá no pomar, mas…

(Continua)

visite lojinha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s