Da série: Rapidinhas

(…)

Apartamento vazio, cabeça vazia…

rapidinhasA gente peca, o desejo sexual faz a gente pecar. Gatos charmosos e saradões, então… faz pecar em dobro, principalmente quando esse gato sabe “elogiar”.
Eu estava linda.
Bom… ele foi logo dizendo (sem dizer nada) que eu estava linda. Me recebeu na porta dando aquela conferida de cima a baixo, me deixando estremecida, para não dizer molhada.
Mas, linda como, se tudo o que eu usava era um par de chinelos, do tipo caseiro, um vestido estampado, mais caseiro ainda, e, é claro, uma calcinha, que ele nem estava vendo?
Mas naquela conferida eu sentia que ele já estava era tentando adivinhar se eu estava depilada ou não.
Quase falei que não costumo depilar, prefiro ao natural, apenas aparo. Mas logo me dei conta de que ele não havia perguntado nada.
Ficaram aqueles olhares, aquela troca de olhares de como nenhum dos dois sabe o que dizer… entrei.
Entrei, apartamento vazio, tudo por arrumar, pintar, decorar, latas de tinta pelo chão, jornais para forrar, ele com uma pinta de tinta no rosto, um pincel na mão…
Eu disse uma pinta… uma pinta.
– A Manu tinha pedido para eu te trazer café… – puxei conversa.
– Que bom que vamos ser vizinhos, não é? – ele já foi noutro assunto.
– Bom…? É… Eu gosto muito da Manu… é a minha prima favorita. – brinquei.
– Também gosto muito dela, por isso vou casar com ela. Mas gosto muito de você também…
– Gosta de mim? – respondi… quer dizer, perguntei, um tanto encabulada, bastante encabulada, diante daquele olhar sedutor, e frente a dois braços que se esticavam, duas mãos que se aproximavam, que me tomavam pela cintura.
Só tive tempo de colocar a garrafa térmica e o copo sobre a pia.
– Sim. Mas como não gostar de você, assim, tão bonitinha, tão meiga, rostinho tão singelo, tão carinhosa…?
– Eu, carinhosa? Mas…
– Claro que você é carinhosa! Sei disso… quer dizer, ainda não sei, mas vou descobrir agora.
– Vai descobrir? Mas…
E me descobriu mesmo.
Num lance, que nem percebi direito como aconteceu, ele já tinha levantado o meu vestido acima dos meus seios, já tinha exposto minhas pernas, minhas coxas, minha calcinha…
– Menino, eu… eu… a gente… Não…! Não pode… não posso… não podemos… a Manu… meu namorado…
Coitados!
Coitada da Manu, levando um galho antes mesmo de casar, e com a própria prima!
Coitado do meu namorado, que ainda não me falava em casamento, mas que se soubesse disso, nunca que ia falar mesmo!
E tudo aconteceu na cozinha, na pia na cozinha, único objeto ou móvel que a gente podia usar para… para transar.
E aconteceu que ele tinha camisinha. O safado não quis confessar, mas logo percebi que ele já estava planejando coisas quando soube que eu ia levar o café…
E que bom que planejou!
Foi coisa rapidinha, duas na verdade, duas rapidinhas, uma me pegando sentada na pia, ele em pé entre as minhas pernas abertas, outra comigo em pé, debruçada, na pia, e ele me pegando por trás… Me pegando por trás, não atrás, mas falando que noutra vez ia comer a minha bundinha.
Rapidinha… rapidinhas… nem tirei o vestido, só a calcinha… e só quando me vi novamente na rua é que me dei conta de que havia sacaneado as duas pessoas que mais gosto.
Mas que foi uma sacanagem gostosa… isso foi.

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